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sábado, 17 de março de 2018

A política substituindo a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes

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Eu não gosto de opinar sobre política, mas nesse caso não se torna de política, se torna de vida e morte, só que as pessoas transformaram uma vida perdida em política.
Marielle Franco, vereadora do PSol do Rio de Janeiro foi assassinada a tiros no dia 14 de março de 2018, assim como seu motorista Anderson Gomes, que deixa um filho de um ano. Está mais que claro que foi uma execução apenas pelo modo de operar dos criminosos. O assassinato de Marielle causou uma comoção geral no país pois ela era conhecida por ser uma defensora dos direitos humanos, a quinta vereadora mais votada do Rio Janeiro, jovem, defensora das minorias, uma socióloga respeitável e a forma injusta como lhe foi tirada a vida tocou a todos. 
A questão é que os julgamentos sobre sua morte se tornaram extremos, terríveis e cruéis. Marielle era defensora dos direitos humanos e era exemplo na militância contra ações violentas nas favelas, o que fez pessoas xucras argumentarem que Marielle foi morta por "defender bandido" e que morreu pelas mãos "de quem defendia". Marielle defendia a vida e lutava para que os direitos humanos (ou seja, os seus direitos) fossem respeitados.
Mas de um outro lado, o de extrema esquerda, surgiram teorias envolvendo policiais. Marielle havia feito uma denúncia em suas redes sociais quatro dias antes de sua morte sobre a ação truculenta do 41º BPM de Irajá e isso gerou uma ideia de que Marielle poderia ter sido executada por policiais e com isso centenas de manifestações com inscritos do tipo "o diabo veste farda" surgiram. 
Mas precisamos lembrar que o veredito não foi dado, que as investigações ainda estão sendo feitas e que ninguém sabe quem foram os reais assassinos, se foram criminosos com ou sem farda. É errado generalizar e cuspir na polícia toda a sua revolta. Só nesse começo de 2018, 85 policiais foram baleados sendo que 29 não resistiram. No primeiro mês de 2018 aconteceram 688 tiroteios entre policiais e traficantes. 158 feridos e 146 mortes por armas de fogo. Ano passado, em 2017, o estado do Rio de Janeiro teve cerca de 4.400 assassinatos no total. A questão não é QUEM está morrendo, a questão é que PESSOAS estão morrendo. 
Ninguém matou Marielle por ser uma mulher negra, ela foi morta por defender a vida! E como defensora da vida eu tenho certeza absoluta que ela não via diferença entre cores, sexo e profissão. Marielle defendia o que era o certo, ela tomou as dores e ajudou famílias de policiais tanto quanto de outras pessoas, como foi exposto por Rosa Vieira, mãe de um policial morto em 2012.
É errado culpar policiais e generalizar lhes jogando a culpa pela morte da vereadora sendo que nem sequer existem provas ainda. Precisamos lembrar que tantos deles são tão vítimas quanto os inocentes moradores das comunidades onde ocorrem trocas de tiros. É triste ver dois lados tão radicais brigarem por política esquecendo que duas vidas - Marielle e Anderson - foram tiradas e tantas outras antes disso.

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