Permacultura: o que é?

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Na faculdade de Engenharia Agronômica, nós temos uma matéria chamada de Introdução à Agricultura Sustentável, em que nela vemos diversas maneiras de produzir sem agredir o meio ambiente. E uma das propostas que aprendi é a Permacultura.


A palavra Permacultura significa "cultura permanente", ou seja, há a implantação de uma forma de cultivo que será permanente, as culturas não serão retiradas e replantadas de forma à estragar o solo, esse sistema produtivo terá longa duração.

Esse sistema não leva em conta apenas a agricultura em si e os princípios básicos para a agronomia, ela envolve design, manejo de energia e outros recursos sustentáveis, e ainda carrega três princípios éticos básicos: cuidar e respeitar a terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro.

Além disso, existem 12 princípios que precisam ser seguidos perfeitamente para a implantação de um sistema tão sustentável quanto a permacultura. Foram desenvolvidos e publicados por David Holmgren.


Antes de falar sobre o sistema e seus princípios, vamos falar de seus criadores. David Holmgren era um estudante de Design na época em que desenvolveu o ideal de permacultura ao lado de seu co-orientador, Bill Mollison. Seu trabalho de conclusão de curso, orientado por Bill, se tornou o livro "Permaculture One", publicado na Austrália em 1978.

Vou falar de maneira rápida e fácil sobre cada princípio:
1. Observe e interaja - como um projeto holístico (que olha o todo), deve-se entender que tudo está conectado e tudo interage e é interdependente. Por exemplo, em caso do aparecimento de uma planta considerada daninha, deve-se procurar entender o porquê ela estaria ali. Plantas como Carneirinho ou Carrapicho-de-carneiro, é um tipo de planta indicadora de condições do solo, sendo essa sinal para deficiência de Cálcio. Então, ao invés de você se preocupar em retirar ou matar esse tipo de planta invasora, deveria se preocupar mais em corrigir a fertilidade do solo que demonstra uma deficiência.

2. Capte e armazene energia - o princípio básico de saber utilizar energias renováveis, como a energia solar, captada por placas solares; mas além disso deve-se saber quanto e para quê ela será utilizada.

3. Obtenha rendimento - além do auto-sustento e preservação da natureza à longo prazo, é necessário que haja rendimento, seja ele financeiro ou de produção. Por exemplo, reutilização de água que percorre pelo sistema, para mantê-lo; ou então, cultivar espécies forrageiras para alimentação dos animais do sistema; ter animais, como galinhas, que produzem ovos e ainda se alimentam de possíveis pragas; árvores frutíferas e produção de geléias ou até mesmo venda das próprias em época de frutificação.

4. Pratique a autorregulação - não faça o controle, mas permita a manutenção natural do ecossistema. Às vezes você pode incluir inimigos naturais para pragas, que se alimentarão delas e então, quando não tiver mais alimento, acabarão deixando o local; não haverá efeito residual, como inseticidas deixam no solo.

5. Use e valorize os serviços e recursos renováveis - aproveitamento da luz do sol, das sombras de árvores para aquelas plantas que gostam de sombreamento, entre outros.

6. Não produza desperdícios - minimize desperdícios com cinco passos: recuse, reduza, reaproveite, repare e recicle; além disso, dimensione seu consumo e produção e então os equalize.

7. Design para detalhes - adapte seu sistema aos padrões naturais locais. Na permacultura todo o estilo do sistema é construído para uma organização em zonas que deverão ser aproveitadas por diferentes culturas de acordo com sua necessidade de luz, inclinação do terreno, etc.

8. Integrar ao invés de segregar - a permacultura busca por relações simbióticas, de cooperação, tanto entre plantas e animais como com os próprios humanos; e não uma relação competitiva como ocorre com a agricultura de monocultura atual.

9. Use soluções pequenas e lentas - diferente do que pensam, nem sempre a rapidez é a melhor das soluções, buscar por inimigos naturais que trabalharão em seu tempo, será muito melhor do que aplicar um inseticida de solução instantânea, que permitirá que as pragas retornem depois.

10. Use e valorize a diversidade - a monocultura impede que exista um ecossistema, pois não existe diferença de espécies de plantas e assim, não existe diferentes espécies de insetos, os principais polinizadores. A permacultura valoriza essa diversidade e a favorece.

11. Use os limites e valorize o marginal - aproveite todas as zonas periféricas possíveis de uso em seu terreno, aproveite espaços de maneira inteligente. Um exemplo é a produção do antigo Egito, nas margens do rio Nilo, permitindo assim maior produtividade por ter uma área melhor irrigada.

12. Responda criativamente às mudanças - é impossível prever tudo, por mais que a permacultura seja baseada em uma planejamento anterior e design, como o trabalho de todo agrônomo, você deve saber lidar com as mudanças do meio em constante movimentação.

A Permacultura procura preservar o ambiente, respeitando-o e reconhecendo a terra e todo o ecossistema como um ser vivo. Precisamos avançar não apenas tecnologicamente, nos dias atuais, mas também devemos avançar conscientemente.

Aqui no final deixo um guia/curso sobre permacultura que encontrei esses dias. Ele foi feito pelo Instituto EcoVida São Miguel. Você pode saber mais sobre o que o curso abordará acessando o site do Instituto e de seu projeto
E para obter seu Guia de Permacultura, é só clicar na foto abaixo:
Curso: Guia de Permacultura

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