24 horas de realidade climática e COP26

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Todos os anos o The Climate Reality Project - organização/projeto fundado pelo ganhador do prêmio Nobel da Paz, Al Gore, para falar e agir sobre questões climáticas climáticas - realiza um dia inteiro de ações com seus líderes globais para chamar a atenção das pessoas para a emergência climática.

Esse ano, o 24 Horas de Realidade foi no dia 29 de Outubro, dois dias antes do início da COP26 - Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Cada "Chapter", ou seja, cada "escritório" do Climate em diferentes países pode escolher qual seria sua ação para as 24 horas, e o Climate Reality Brasil escolheu impulsionar o Manifesto Jovens pela Educação Climática, que pede para que aulas aprofundadas sobre mudanças climáticas sejam implementadas na grade curricular das escolas de ensino básico.

Nesse dia nossas ações envolveram lives com pessoas incríveis, como:

Flávia Bellaguarda - co-fundadora de projetos como o Youth Climate Leaders que dão cursos à jovens líderes buscando acelerar ações e carreiras no clima; também fundadora do LACLIMA, uma rede de advogadas(os) de direito das mudanças climáticas na América Latina; coordenadora de ambição e política climática Climate Reality Project Brasil e uma das responsáveis pela tradução do livro "Justiça Climática: esperança, resiliência e a luta por um futuro sustentável" da ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson. 

Assim como Sérgio Besserman, coordenador estratégico do Climate no Brasil, ex-presidente do IBGE e do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, economista e ecologista que estuda as consequências econômicas e sociais da mudança climática global desde 1992. E também, Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, especializado em economia social e ex-coordenador de Desenvolvimento Humano do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Além disso, organizamos o nosso primeiro "Spaces" no Twitter, uma área para criarmos uma sala de conversa, tipo um podcast ao vivo, um rádio quem sabe. E pudemos contar com pessoas incríveis que já lidam diretamente com ativismo ambiental, educação e comunicação. Você pode encontrar o Climate Reality Project Brasil no twitter na conta @climate_brasil.

Mas após tudo isso, iniciou-se a COP26. E o que é uma COP no final das contas?

COP significa Conferência das Partes, e discute sobre as Mudanças Climáticas desde 1992, baseando-se no Acordo de Paris, e visa a estabilização de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. 

Líderes de Estado (são 197 os representantes) discutem sobre suas atuações, metas e planos, demonstram o quanto estão atendendo ou não as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) - metas de cada país para cooperar com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Mas é claro, o Brasil, do ponto de vista federal, não terá o presidente e nem mesmo o vice, mas sim o novo Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que já fez algumas promessas vagas. 

A comitiva de governadores é a maior já enviada, assim como os ambientalistas e cientistas brasileiros, e até mesmo entidades do agronegócio e grandes empresas, afinal, a questão da sustentabilidade tem se tornado um ponto importante no mundo dos investimentos.

E o que podemos esperar dessa reunião?

Todos os pontos e efeitos das mudanças climáticas que podem culminar em catástrofes foram apresentados no último relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), e o que deveria acontecer em reuniões como a COP seria o estabelecimento de metas que atendam requisitos para não colapsarmos, como compromissos muito mais audaciosos do que aqueles definidos no Acordo de Paris (caso todos os países cumpram suas metas definidas no Acordo, a temperatura média do globo aumentará em 2.7 graus Celsius até o final do século, e precisamos manter esse aumento abaixo de 1,5°C).

A questão é que compromissos até podem ser firmados para resultarem em uma boa imagem internacional, mas o desenrolar do compromisso é o que deixa ambientalistas atentos e desconfiados, a ONU não tem liberdade de atuação como "fiscalizadora" de metas cumpridas ou não. A palavra de líderes mundiais e setores econômicos em uma conferência como essa pode até valer muito, mas não significa que ela não possa ser quebrada pelo próximo presidente que for eleito ou pela maioria dos votos dentro do próprio país/mundo corporativo quando se trata da implementação de leis, normas ou regulamentações quanto às emissões de gases de efeito estufa.

O que esperamos é que cada vez mais pessoas tenham consciência da emergência climática, que a COP seja cada vez mais discutida, difundida em redes sociais e alcance mais pessoas, e que assuntos como esses sejam meios de educar pessoas, e elas consigam pressionar governos e empresas a mudarem suas atuações quando insustentáveis ambientalmente.

E aí, você já se informou ou falou sobre a COP por aí?

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