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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Madeireiros invadem terras indígenas

Como apontado pela Funai, madeireiros invadiram a Terra Indígena Arara, no sudoeste do Pará, área que abrange os municípios de Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e Uruará, com 274.010 hectares, com os limites homologados em 1991.
Esses madeireiros ocuparam no dia 30 de dezembro para extrair madeira ilegalmente e os moradores da região sentem o medo de haver confronto armado já que existem boatos de que ocorra um protesto na rodovia Transamazônica.

E essa não foi a primeira invasão, em 2017 a Funai, Ibama e a Polícia Federal investigaram denúncias na área de Arara, com apreensão de 150 metros cúbicos de madeira nos municípios da região e embargo de uma serraria, mas os suspeitos abandonaram o local apontado antes dos agentes chegarem, encontrando apenas estacas para demarcação. 

Como já apontado pelo novo governo, a função de demarcação de terras indígenas foi retirada da Funai (Fundação Nacional do Índio), que já atua nisso a 30 anos, e repassada para o Ministério da Agricultura, onde quem o governa é uma líder ruralista. Talvez isso tenha incentivado a ocupação desses madeireiros em locais ilegais e o pensamento de que estarão impunes e com mais chances nesse novo governo. 
Lembrando que nossos povos indígenas já foram consagrados mundialmente pela preservação da Amazônia. Em 2017 duas associações indígenas brasileiras ganharam o Prêmio Equatorial (entre mais de 800 inscrições de 120 países) por estarem entre as 15 melhores iniciativas de solução sustentável. 
As duas associações foram: Ashaninka da aldeia Apiwtxa na fronteira de Acre e Peru:
A Apiwtxa, que na língua indígena Aruak significa união, candidatou-se apresentando os trabalhos de formação de jovens, trocas de conhecimentos, reflorestamento e conservação da Floresta Amazônica, na Yoreka Ãtame, um Centro de Saberes da Floresta, construído pela própria comunidade, bem como sua atuação junto a comunidades indígenas e extrativistas vizinhas, no âmbito do Projeto Alto Juruá, financiado com recursos do Fundo Amazônia. Por meio de suas diversas iniciativas, a Apiwtxa desenvolveu uma estratégia coesa para defender as terras indígenas e melhorar os meios de subsistência da comunidade. - Maria Fernanda Ribeiro, Estadão, 2017.
E a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), no Mato Grosso:
Já a Atix foi premiada por ter proporcionado que diversas comunidades produzam, conjunta e anualmente, cerca de duas toneladas de mel orgânico certificado. Fundada em 2004, a entidade conta, há anos, com a parceria do Instituto Socioambiental (ISA) no projeto que envolve cerca de 100 apicultores de 39 aldeias dos povos Kawaiwete, Yudja, Kisêdjê e Ikpeng. - Maria Fernanda Ribeiro, Estadão, 2017.
Além disso um estudo realizado pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com a agência alemã GIZ e a Funai, com o apoio da embaixada da Noruega, como reportado no texto do Estadão em setembro de 2017; o conjunto de terras indígenas na Amazônia brasileira cobre 110 milhões de hectares, obtendo 30% do carbono florestal da região e só por serem homologadas, diminui de 20 a 30 vezes a chance dessas áreas serem desmatadas. Portanto temos a comprovação do quanto as tribos indígenas são importantes na preservação de nossa Amazônia além de preservar nossa cultura, nossas origens.


Fonte: Estadão e G1.

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