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domingo, 22 de abril de 2018

Hoje é o Dia da Terra

O Dia da Terra foi criado em 1970 pelo senador norte-americano Gaylord Nelson - ativista ambiental que faleceu em 2005 - e tem por finalidade criar uma consciência sobre os problemas ecológicos hoje enfrentados e atentar para a preocupação com a biodiversidade e como podemos, mesmo com qualquer pequena ação, ajudar na conservação do planeta.
Gaylord Nelson iniciou uma manifestação no dia 22 de abril de 1970 pedindo pela criação de uma agenda ambiental, contou com a participação de escolas, universidades e centenas de pessoas da comunidade. Sua pressão gerou resultados e o governo dos Estados Unidos criou a Agência de Proteção Ambiental juntamente com uma série de leis e desde então, a partir de um movimento universitário, o Dia da Terra se tornou tradição e todos os anos lutamos para que ele seja relembrado.
Esse ano o Google em seu Doodle chamou a atenção para o Dia da Terra com Jane Goodall, hoje mensageira da paz pelas nações unidas com 84 anos reconhecida por seu trabalho com os chimpanzés. Jane estudou a vida social e familiar dos chimpanzés em Gombe na Tanzânia por 40 anos e os estudos de uma jovem, sem formação de pesquisadora, contribuíram para o avanço da primatologia.
Hoje com 84 anos, após tantos prêmios - Prêmio Kyoto 1990, Medalha Benjamin Franklin 2003, Prêmio Internacional Catalunha 2015 - e tantos filmes contando sua trajetória, Jane nos traz um vídeo em que reforça a importância de cada ser vivente na Terra e defende que nenhuma vida é melhor que a outra e todas têm a sua função sobre o meio ambiente e você pode escolher qual será a sua.


quinta-feira, 22 de março de 2018

A chuva começa na folha

No começo desse semestre meu professor de microbiologia - que sempre foge dos assuntos, conta curiosidades para deixar todos boquiabertos (como saber que queijos com buraquinhos possuem coliformes fecais) e depois volta para o assunto sem que você nem perceba a mudança - contou outro dia que a chuva começa na folha da árvore. Isso explica muita coisa, como a amazônia ser tão úmida e locais mais devastados serem tão secos. 
Apenas uma árvore pode liberar 300 litros de água por dia em forma de vapor durante sua transpiração e quanto maior seu tamanho, maior a quantidade de água liberada, podendo chegar até a 1.100 litros. Isso demonstra o quão é importante não apenas economizar água como fechar a torneira enquanto escova os dentes e etc, mas como é importante preservar a floresta, plantar árvores e não desmatar. A floresta Amazônica pode não ser o pulmão do mundo por serem um ambiente de clímax, ou seja, que se sustenta sozinho e consome quase tudo do que produz, o pulmão do mundo na verdade são as algas marinhas, mas a Amazônia ainda fica com a função de ser o regulador pluviométrico, sendo a responsável por influenciar na chuva de todo - ou quase todo - o Brasil. Quanto maior o desmatamento, mais escassa será a chuva e a água.
Podemos entender como um ambiente de clímax como a floresta Amazônica funciona ao observarmos um terrário fechado, aqueles feitos em um vidro e totalmente vedados, seja com uma rolha ou plástico na boca do vidro que pode ser de qualquer formato. As plantas daquele terrário são responsáveis por todo o ciclo hidrológico do local. Ao colocar uma pequena quantidade de água assim ao ser feito o terrário e logo depois tampá-lo para nunca abrir, as plantas serão as responsáveis por absorver a água do solo e lançá-lo na "atmosfera" por sua transpiração, para depois ocorrer novamente o ciclo. Não é preciso mover nada nos terrários fechados, assim como não é preciso tocar na Amazônia. É importante o entendimento de que áreas com escassez de água precisam de árvores e não de mais desmatamento.

sábado, 17 de março de 2018

A política substituindo a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes

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Eu não gosto de opinar sobre política, mas nesse caso não se torna de política, se torna de vida e morte, só que as pessoas transformaram uma vida perdida em política.
Marielle Franco, vereadora do PSol do Rio de Janeiro foi assassinada a tiros no dia 14 de março de 2018, assim como seu motorista Anderson Gomes, que deixa um filho de um ano. Está mais que claro que foi uma execução apenas pelo modo de operar dos criminosos. O assassinato de Marielle causou uma comoção geral no país pois ela era conhecida por ser uma defensora dos direitos humanos, a quinta vereadora mais votada do Rio Janeiro, jovem, defensora das minorias, uma socióloga respeitável e a forma injusta como lhe foi tirada a vida tocou a todos. 
A questão é que os julgamentos sobre sua morte se tornaram extremos, terríveis e cruéis. Marielle era defensora dos direitos humanos e era exemplo na militância contra ações violentas nas favelas, o que fez pessoas xucras argumentarem que Marielle foi morta por "defender bandido" e que morreu pelas mãos "de quem defendia". Marielle defendia a vida e lutava para que os direitos humanos (ou seja, os seus direitos) fossem respeitados.
Mas de um outro lado, o de extrema esquerda, surgiram teorias envolvendo policiais. Marielle havia feito uma denúncia em suas redes sociais quatro dias antes de sua morte sobre a ação truculenta do 41º BPM de Irajá e isso gerou uma ideia de que Marielle poderia ter sido executada por policiais e com isso centenas de manifestações com inscritos do tipo "o diabo veste farda" surgiram. 
Mas precisamos lembrar que o veredito não foi dado, que as investigações ainda estão sendo feitas e que ninguém sabe quem foram os reais assassinos, se foram criminosos com ou sem farda. É errado generalizar e cuspir na polícia toda a sua revolta. Só nesse começo de 2018, 85 policiais foram baleados sendo que 29 não resistiram. No primeiro mês de 2018 aconteceram 688 tiroteios entre policiais e traficantes. 158 feridos e 146 mortes por armas de fogo. Ano passado, em 2017, o estado do Rio de Janeiro teve cerca de 4.400 assassinatos no total. A questão não é QUEM está morrendo, a questão é que PESSOAS estão morrendo. 
Ninguém matou Marielle por ser uma mulher negra, ela foi morta por defender a vida! E como defensora da vida eu tenho certeza absoluta que ela não via diferença entre cores, sexo e profissão. Marielle defendia o que era o certo, ela tomou as dores e ajudou famílias de policiais tanto quanto de outras pessoas, como foi exposto por Rosa Vieira, mãe de um policial morto em 2012.
É errado culpar policiais e generalizar lhes jogando a culpa pela morte da vereadora sendo que nem sequer existem provas ainda. Precisamos lembrar que tantos deles são tão vítimas quanto os inocentes moradores das comunidades onde ocorrem trocas de tiros. É triste ver dois lados tão radicais brigarem por política esquecendo que duas vidas - Marielle e Anderson - foram tiradas e tantas outras antes disso.

sábado, 4 de novembro de 2017

"Terraform" - Famílias, Ijen e Enxofre

Faz cerca de 1 mês quando os músicos Ali John Meredith-Lacey, conhecido por Novo Amor, e Ed Tullett, lançaram em parceria uma música chamada "Terraform", em que junto com o clipe conta a história de homens da Indonésia que sustentam suas famílias em um trabalho perigoso e quase escravo. Esses trabalhadores fazem cerca de duas viagens por dia, subindo e descendo um complexo vulcânico chamado Ijen, para coletar enxofre, respirando assim uma fumaça tóxica e carregando cerca de 95kg nas costas, tudo isso sem nenhum tipo de ferramente propícia, ou equipamentos de proteção. Com essas duas viagens perigosas, eles conseguem menos de 10 dólares por dia.
A união desses músicos com os cinegrafistas Jorik Dozy e Sil van der Woerd proporcionou um projeto que visa ajudar essas famílias. No clipe eles seguem um dia de trabalho de Bas e sua família, além de mostrar outros trabalhadores, uma porcentagem da receita de tal vídeo e música será dado para esses trabalhadores como Bas. Além do projeto continuar no site Ijen Assistance, lá você pode ajudar fazendo doações, acompanhar o projeto e entender um pouco mais. Tudo arrecadado pela entidade ou será distribuído para a escola da região ou para melhorar as tecnologias de trabalho desses homens, assegurando um pouco mais suas rotinas. Todo o trabalho da organização é ordenado por Heinz Von Holzen, fotógrafo que frequentemente está em Ijen levando contribuições, além de todo o voluntariado existente por trás.
É incrível como ainda existam trabalhos dessa forma, tão perigosos e desumanos. Às vezes esquecemos que tais realidade ainda existem, e alguma pessoas nem sequer sabem que elas existem. É importante conhecer outras vidas e se colocar no lugar delas para que o mundo melhore, pela compaixão a humanidade pode caminhar, e espero que esse clipe nos faça caminhar.

sábado, 26 de agosto de 2017

A Amazônia deve temer?

Uma área rica em minérios localizada entre o Amapá e o Pará, de 4,7 milhões de hectares, chamada de Reserva Nacional do Cobre e seus Associados (Renca), onde existem sete unidades de conservação e duas terras indígenas, poderá ser agora desmatada graças a um decreto que acaba com essa reserva mineral aprovado pelo presidente Michel Temer, sem alguma finalidade específica a não ser o apoio à bancada ruralista.
A Renca foi fundada em 1984 pelo presidente João Figueiredo, último presidente militar, que delimitou a área para fins de "pesquisa na exploração mineral, permitindo participação privada por meio de convênio. A área é um pouco maior que o estado do Espírito Santo, e maior que a Suiça, sendo 90% da área para terras indígenas e reservas ambientais, e os outros 10% - cerca de 500 mil hectares, como aponta o Greenpeace - é área coberta pela floresta, área pública que fica disponível para indústrias.
As sete áreas de conservação são: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (maior unidade de conservação de florestas tropicais do mundo), Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, Reserva Biológica de Maicuru, Estação Ecológica do Jari, Reserva Extrativista Rio Cajari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, além das terras indígenas Waiãpi e Rio Paru d'Este. E de todas essas citadas, apenas uma pequena parte da Floresta Estadual do Paru admite exploração de minérios.
Segundo a Folha, já existiam solicitações de empresários para a exploração dessa área desde sua fundação, mas por lei a exploração de minérios em áreas de conservação é proibida. Mas no dia 23 de Agosto, foi dada a liberação para empresas privadas realizarem suas "pesquisas de minérios" na região.
Para se defender, o presidente usou seu Twitter para dizer que a área liberada para pesquisa privada será a área já liberada à mineração, e nenhuma área ambiental será tocada ou reestruturada para tais atividades.

Mas é preciso lembrar que essa medida foi tomada sem nenhum debate com a população local que sera a principal afetada. A mudança ocorreu toda a sociedade que elegeu o presidente, foi avisada depois de que talvez nossa Amazônia sofra com a motosserra e isso afete toda a nossa respiração. Pode parecer distante de você agora qualquer interferência que a Amazônia possa ter na sua vida, mas tenha certeza que ela te faz respirar e é inacreditável como nós não a deixemos viver.