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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Último ano e a faculdade. O que decidi ou estou decidindo?

Desde o primeiro ano do ensino médio as dúvidas sobre a faculdade e a pressão sobre os estudos começa. No segundo, piora. E no terceiro, piora e muito. 

Eu estou escrevendo isso porque sei como estive me sentindo durante todo esse tempo sobre o que faria na faculdade e o que escolheria para minha vida. Eu estive indecisa durante todo esse tempo, vagava de oceanografia para biologia, depois para arquitetura e ecologia, depois para engenharia ambiental e assim vai. Durante toda a minha vida fui indecisa até para escolher que chocolate ia comprar, então dessa vez não seria diferente. 

Durante o ensino médio é comum que a escola, ou até mesmo os pais - em alguns casos, criem uma certa pressão sobre os jovens para que tirem notas boas nos vestibulares, entrem para ótimas faculdades e escolham algo que vá lhe dar boas condições de vida.
Lembro de quando escolhi meu curso de ecologia e como foi uma "revolta" ao meu redor sobre "o que é isso?" ou "o que um ecólogo faz?". As pessoas esperavam que eu escolhesse engenharia civil, ou sei lá, física, e fosse estudar em uma USP, mas não, eu escolhi algo que praticamente ninguém conhecia e meu primeiro foco, sinceramente, não era e nunca foi a universidade de São Paulo. 
Na realidade, nem eu estava certa sobre tal curso, mas era algo que me dava um ânimo e me envolvia bastante (pelo o que procurei na internet). Arquitetura sempre foi meu segundo plano, e meu pensamento era de, algum dia, criar prédios ecológicos ou projetos como do hidroanel criado pelos alunos da faculdade de arquitetura e urbanismo da universidade de São Paulo (FAU-USP). Mas eu ainda não me encantava por esse curso. E então eu apenas deixei para lá e parei de procurar algum curso no qual me encaixava. 

Eu tinha o objetivo de ir para a Universidade da América Latina em Foz do Iguaçú (UNILA) e estudar Ecologia lá, então continuei com tal foco, até que no final das minhas férias de dezembro comecei a ler o livro O Fim de Todos Nós
Por mais que o nome pareça assustar, a ideia em geral é muito interessante e até me lembra os casos do Aedes Aegypti que estão aparecendo em nosso país, mas depois faço outro postagem falando apenas dele. 
Vavilov sonhava com um futuro utópico em que as novas práticas agrícolas e a ciência poderiam criar super plantas em quaisquer condições Foto: divulgaçãoO que me cativou nesse livro foi uma das personagens coadjuvantes (que nem aparecem tanto, mas eu costumo gostar desses personagens) que tem uma estufa em seu quintal e por meio dessas plantas ela explica um pouco sobre criar e descobrir novas culturas de alimentos e etc. Eu me interessei então por essa área mais do que antes, procurei por tais cursos e encontrei então o botânico russo, morto na época da Segunda Guerra Mundial, Nikolai Vavilov. 
Vavilov era um biólogo, botânico, geneticista, geógrafo e diretor do Instituto de Investigações Científicas de Leningrado na Rússia e presidente da Academia de Ciências Agrícolas da URSS. Ele viajou por mais de 20 anos por todos os 5 continentes colhendo sementes de plantas agrícolas para estudos futuros. Sua coleção de semente chegou a ser a maior do mundo com cerca de 200 mil espécies. Seus estudos o levaram a percepção que a biodiversidade agrícolas estava repartida de maneira desigual no mundo, pois enquanto em alguns lugares havia muita comida, em outros faltavam. Foi pioneiro na criação de bancos de genéticos para melhoria e preservação das espécies cultivadas. Registrou também diferentes tipos de solo e clima de cada região.
O sonho de Vavilov era acabar com a fome do mundo, mas infelizmente foi perseguido por Stalin e morreu de fome em um campo de concentração. E 12 dos cientistas que trabalhavam em seu Instituto da Indústria das Plantas construíram barricadas e se trancaram no prédio quando as tropas nazistas invadiram Leningrado. Durante 900 dias, esses doze cientistas, morreram de fome, um por um, mas não tocaram em nem um grão de semente da coleção.
Corri por todos esses cantos, desde livro de ficção, até documentários sobre a profissão, até a história do botânico mais valente do mundo (de acordo com minha opinião) e escrevi todo esse texto apenas para explicar como decidi o que quero fazer, que é Engenharia Agrônoma ou Agronomia. 
Eu decidi que curso quero fazer e em qual faculdade pretendo fazer, no caso na Unesp de Botucatu, mas ainda não sei se estou preparada para ir direto para a faculdade ano que vem, mas o que posso fazer por enquanto é me preparar para vestibulares e ver no que dá. Então, me desejem sorte e espero que esse texto gigante tenha te ajudado também a decidir o que vai fazer de seu futuro, se você estiver tão indeciso quanto eu.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

São Paulo, metrópole fluvial.


Assim como Copenhague ou Amsterdã, São Paulo é uma cidade construída em cima de mais de 300 rios e riachos que estão canalizados abaixo de nossos pés, com isso temos então os grandes problemas de inundações e até mesmo crise hídrica, ao mesmo tempo em que temos tanta água poluída. 
Assim como São Paulo, a capital da Dinamarca, Copenhague, passava por terríveis inundações, já que o sistema de esgoto de toda cidade corria junto com as águas pluviais, transbordavam em momentos de muita chuva e o esgoto desembocava diretamente no canal principal de Copenhague, sem contar as fábricas no entorno. Mas então começou o investimento em 1991 para melhorar a cidade e transformá-la em uma cidade para cidadãos. Demorou 15 anos, muito investimento, grandes projetos e muita seriedade sobre tal compromisso. Mas o resultado foi melhor impossível: lazer (pois as pessoas agora nadam no "antigo rio tietê de Copenhague"), transporte hidroviário e muitos outros benefícios.
Outro rio que cruzava uma cidade inteira e era totalmente podre, foi totalmente despoluído em menos de 50 anos, o rio Tâmisa. Eu até mesma já li um livro sobre piratas da época de 1700, onde tudo o que não era mais útil para as pessoas, eram jogados sem dó e nem piedade no rio. No século XIX o rio Tâmisa era conhecido como "O Grande Mau Cheiro" e o grande transmissor de cólera entre outras doenças. Em menos de 50 anos o rio Tâmisa reviveu e hoje tem 125 espécies de peixes e mais de 400 espécies de invertebrados. Tudo bem, não é possível nadarmos nele como no canal de Copenhague, pois de segunda a sexta dois barcos percorrem todo o Tâmisa e retiram de lá 30 toneladas de lixo por dia, sem contar a ampliação e investimento nos sistemas de esgoto conforme cresce a população. Nos barcos de limpeza também foram instalados radares, câmeras e sonares que informam a localização dos lixos. Mesmo com todas essas melhoras e revitalização em pouco tempo a guerra contra a poluição é constante e a empresa de saneamento londrino ainda faz altos investimentos no tratamento de água e esgoto.
Amsterdã é também uma cidade que poderia ser como São Paulo e ter seus rios canalizados e poluídos, mas os canais dessa cidade foram vistos como acrescento á sua arquitetura e não obstáculos. A mesma ideia de Amsterdã percorre por um grupo da faculdade de arquitetura e urbanismo da cidade de São Paulo (FAU-USP). Esse grupo de nome "Metrópole Fluvial" têm como ideia principal um projeto de Hidroanel Metropolitano, que seria uma rede composta pelos rios Tietê e Pinheiros, represa Billings e Taiaçupeba e um canal artificial. Para isso é necessário que os rios urbanos reestabeleçam-se como principais eixos estruturadores das cidades, dando para os rios função de transporte e para suas margens lazer.
Todos esses exemplos mostram que a cidade de São Paulo pode recuperar seus rios, só é necessário força de vontade e investimento tanto do governo quanto da população que precisa perceber que o rio é fundamental para a vida na cidade.

Todas essas informações foram tiradas do programa Repórter Eco da Tv Cultura (#tvculturasoufã), do site Cidades Sustentáveis, site Fórum do Ar, site do Grupo Metrópole Fluvial - FAU/USP e pelo projeto maravilhoso da jornalista Natália Garcia - Cidades para Pessoas.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Organizando as ideias

Hoje, pela manhã, eu estava em casa, doente e assistindo desenhos animados quando me veio à tona tudo que já aconteceu durante todos os anos que tenho esse blog. 
Eu comecei o verdeante quando tinha apenas oito anos e hoje estou com dezesseis para dezessete, o blog já tem seus oito ou nove anos e isso é muito mais do que eu poderia esperar que ele durasse. Na realidade, quando o criei, eu nem sequer sabia o que ele iria se tornar para mim.
Antes eu era muito mais presente no blog, mesmo com algumas postagens meio toscas, eu estava aqui. E hoje, talvez por muita coisa ter mudado, eu o abandonei um pouco. 
A preocupação com o meio ambiente sempre fez parte de mim e sou muito feliz de carregar isso comigo, mas ultimamente, histórias como essas tem me cansado muito. As calotas polares derretendo, as crises hídricas e catástrofes naturais (nem sempre tão naturais, se é que me entende) e etc. Essas coisas me desanimam e mais do que perceber que o mundo precisa de ajuda, precisamos ajudar. Antes eu tinha uma visão muito mais centrada na natureza em si, hoje olho para causas sociais também e sempre tenho a vontade de poder agir, poder fazer algo, e acho que seria muito mais importante se eu falasse sobre "como fazer" do que "o que está acontecendo". 
Estou no meu último ano da escola e é um ano em que precisarei fazer muitas escolhas, e esse 2016 já começou complicado nessa questão. Sou uma pessoa extremamente indecisa e sei que preciso ser mais certa nas coisas que farei. Pretendo escrever aqui no blog não apenas coisas sobre o mundo ou como mudá-lo, mas sim sobre mim e sobre o que farei para me mudar, ou não. Acho que sempre podemos melhorar e vou tentar me melhorar primeiramente para depois melhorar o meu redor.