Pantanal em chamas com permissão do governo assassino de Bolsonaro e Salles

14:52

O Pantanal é o bioma alagado do Brasil,

"(...) é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Este bioma continental é considerado o de menor extensão territorial no Brasil, entretanto este dado em nada desmerece a exuberante riqueza que o referente bioma abriga. A sua área aproximada é 150.355  km² (IBGE,2004), ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em seu espaço territorial o bioma, que é uma planície aluvial, é influenciado por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai."

Essa descrição foi retirada da página oficial do Ministério de Meio Ambiente além disso tem:

"O Pantanal sofre influência direta de três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. (...) Apesar de sua beleza natural exuberante o bioma vem sendo muito impactado pela ação humana, principalmente pela atividade agropecuária, especialmente nas áreas de planalto adjacentes do bioma. De acordo com o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite – PMDBBS, realizado com imagens de satélite de 2009, o bioma Pantanal  mantêm 83,07% de sua cobertura vegetal nativa."

Hoje o Pantanal queima em chamas por conta da seca da região, que não é natural, já que o pantanal é uma planície inundada. O bioma enfrenta os menores índices pluviométricos, o maior desmatamento, o baixo nível de seu rio principal - rio Paraguai - e a pior queimada em 22 anos, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - que também sofre com o desmonte do governo Bolsonaro). Em Julho de 2020 (mês passado), foram registrados 1684 focos de queimadas.

A grande seca que a região sofre pode estar diretamente ligada com o desmatamento da Amazônia, que reduz seus rios voadores - corrente de umidade que surge na floresta a partir da transpiração das plantas e que se espalha por toda a América do Sul.

Além do desmatamento da Amazônia, há o desmatamento diretamente no Pantanal - esse ano, de acordo com o MapBiomas 61 alertas de desmatamento ilegal compreendem a 11 mil hectares, quando no mesmo período do ano passado, 64 alertas eram 2.300 hectares -, e também desmatamentos no cerrado, muito visado para pastagens.

O problema dos desmatamentos no Cerrado, é que os rios do Pantanal nascem no Cerrado e quando uma Área de Preservação Permanente (APP - área protegida de função ambiental apenas e não econômica) que se encontra ao redor de nascentes é desmatada, a chuva levará solo para os cursos d'água, causando o assoreamento - deposição de terra no fundo do rio - que leva à mudança de todo o ciclo biológico por deixar os rios mais rasos.
OBS: Toda nascente deve ter uma APP ao seu redor, de acordo como código florestal (lei 12.651, Art. 3°).

Já o desmatamento no Pantanal volta ao assunto do agronegócio, que de acordo com a ong SOS Pantanal, 15% da área se tornou pastagens, além do plantio de grãos. E ao invés de investirem em um sistema integrado entre árvores, cultivo e pastagem (ILPF - Integração Lavoura Pecuária Floresta ou Sistema Silvipastoril), os fazendeiros estão desmatando para replantar um capim exótico, o que prejudica a flora.

Mas a questão aqui são as queimadas. Ao mesmo tempo em que o Pantanal teve a área de 12 vezes a cidade de São Paulo destruída pelas queimadas, ou seja, 1,923 milhão de hectares, de acordo com o Ibama; a Califórnia também queima cerca de 400 mil hectares, de acordo com a CalFire. Ainda é menos do que o quanto já foi devastado no Pantanal e a Califórnia já pede por ajuda internacional, enquanto o Brasil...

De acordo com o governo federal, foram enviadas aeronaves que transportam brigadistas e despejam água sobre os incêndios. Militares, brigadistas e bombeiros compõem uma operação de cerca de 320 pessoas, com declarações de que faltam pessoal.

No dia 25, terça-feira, o fogo voltou a crescer na região de Nabileque - MS de difícil acesso, e 11 brigadistas foram pra lá.
Há também a reserva indígena Kadiwéu, onde 30 brigadistas indígenas fazem o combate.
Na Serra do Amolar, nas margens do Rio Paraguai, são quilômetros e quilômetros de vegetação queimada.
Os pontos críticos ainda se encontram na região do Parque Nacional do Pantanal e do Parque Estadual Encontro das Águas e na terra indígena Baía dos Guató.

Calor a baixa umidade contribuem para o avanço das chamas — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT - Retirada da reportagem do G1
As forças-tarefa para combate ao fogo chegam no máximo a reunir 300 pessoas, envolvendo bombeiros dos dois estados MT e MS, militares tanto da Marinha como da FAB, ICMbio, funcionários do SESC, brigadistas, detentos treinados para brigada, funcionários da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), além de produtores rurais conscientes e preocupados que estão ajudando.

Já faz mais de 1 mês que o Pantanal pega fogo e, enquanto ele queima, o Governo retira verba para órgãos fundamentais para esse monitoramento e controle, como Ibama e ICMbio.
Por meio de nota, nessa sexta-feira, o Ministério do Meio Ambiente, que por incrível que pareça, quer matar o meio ambiente, lançou uma nota dizendo que, a partir de segunda-feira (31), serão suspensas TODAS as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e às queimadas no Pantanal.

Você pode ler a nota abaixo ou acessar o site do ministério, clicando aqui.
Nota do Ministério do Meio Ambiente, 28/08/2020
Enquanto isso acontece aqui, o governador da Califórnia, Gavin Christopher Newsom, pede ajuda internacional para o combate aos incêndios. Mesmo que a queimada já tenha 14 mil bombeiros empenhados nisso, enquanto aqui no Brasil, com uma área muito maior já destruída e sendo destruída, temos apenas 1.346 brigadistas e bombeiros dos estados de MS e MT que se desdobram para tentar fazer algo sem apoio algum.

Eu queria escrever muito mais sobre isso, mas não sei bem como dizer sem xingar qualquer um dos responsáveis por isso. Estou sentindo uma tristeza profunda em saber que existem animais sendo queimados vivos naquele lugar, enquanto homens poderosos que poderiam fazer algo, homens como o presidente da república ou o ministro do meio ambiente, apenas sentam-se atrás de suas mesas e deixam "passar a boiada".

A proteção do meio ambiente e dos animais é assegurada pela Constituição Federal, no artigo 225 que diz que o poder público e a coletividade "têm o DEVER de defendê-los e preservá-los para as presentes e futuras gerações".

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