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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Fotojornalismo: Nick Ut

Depois da postagem anterior, decidi falar um pouco mais sobre o fotojornalismo e aqueles três fotógrafos - ou talvez de outros até -, que captaram imagens tristes que representam a realidade de um momento e a crueldade humana.
O Fotojornalismo é um ramo da fotografia em que as imagens são claras e precisas nas informações, afinal, um jornal é feito de fotografias além de textos. Você sente muito mais algo quando o vê, do que quando tenta imaginá-lo. A fotografia preto e branco em jornais existe há mais de 100 anos e começou por meio do Daguerreótipo (1835), como uma câmera escura. Essa invenção foi feita pelos irmãos Daguerre. Com vários problemas financeiros e necessidade de reparos e concertos em sua frágil invenção, o francês Louis Jacques Mandé Daguerre não pôde manter sua câmera em segredo, como queria. A fotografia então não foi inventada por apenas uma pessoa, ao invés disso foi a junção de mentes brilhantes com condições sociais e econômicas de lançar o "projeto".
E na postagem anterior uma das fotos mais chocantes que já tem cerca de 40 anos, foi a foto da garotinha correndo sem roupas por conta de um ataque á seu vilarejo no Vietnã. Essa foi tirada por Nick Ut, ou Huynh Công Út, nascido em 29 de março de 1951 em Long An, no Vietnã. Ut começou a tirar fotos com 16 anos para a Associated Press - a maior e mais antiga agência de notícias americana), depois que seu irmão mais velho, foi morto no Vietnã por justamente ser um fotógrafo.
AP staff photographer Nick Ut  in Vietnam during the 1970s. AP Photo/Nick Ut
Sua foto mais famosa, foi tirada em 1972 em Trang Bang, onde a menina Phan Thi KimPhuc de nove anos de idade fugia do ataque norte-americano em seu vilarejo, com queimaduras nas costas. Essa foto ganhou vários prêmios internacionais, dentre eles Prêmio Pulitzer de Fotografia, e se tornou um símbolo anti-guerra. A vida tanto do fotógrafo quanto da fotografada, mudaram. A garota passou quatorze meses em dezessete cirurgias para sua recuperação, e o jovem fotógrafo tornou-se reconhecido mundialmente. 
Este ano, NIck Ut voltou para o lugar da tão famosa e triste foto.

Nick Ut volta ao lugar onde tirou foto icônica de menina durante a Guerra do Vietnã (Foto: AP Photo/Na Son Nguyen)
Ut e Phuc já se encontraram diversas vezes. Ut continua trabalhando para a Associated Press e Phuc é uma embaixadora da boa vontade da Organização das Nações Unidas e ajuda vítimas de guerra.

sábado, 19 de setembro de 2015

O Choro do Mundo

Tenho acompanhado por reportagens e mídias sociais - assim como todos, imagino eu, - a questão dos refugiados e da guerra da Síria. E esses dias encontrei essa imagem do cartunista Roberto Kroll que retrata todas as reais imagens tiradas por corajosos fotógrafos como Nick Ut, da primeira imagem, de um vilarejo no Vietnã durante um ataque. Ou Kevin Carter que teve o sangue frio em tirar o retrato do garotinho morrendo de fome (que estava no programa de ajuda da ONU) e o abutre esperando sua morte, o prestigiado fotógrafo recebeu críticas sobre seu ato, e foi tamanho o sentimento de culpa que suicidou-se mais tarde. E agora, Nilufer Demir que registrou a imagem do corpo de Aylan Kurdi, de apenas 3 anos, um refugiado fugindo da Síria.
É difícil, pelo menos para mim, escrever sobre isso, sobre essas cenas. Durante anos ocorrem guerras em nosso mundo tão "avançado", guerras sem fundamento em que a loucura pelo poder fala mais alto. A Guerra Civil da Síria começou em 2011 com protestos para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder, mas só agora todo o mundo parou para prestar atenção nesse desastre. Precisamos chegar á esse ponto? Ao ponto de 215 mil pessoas terem morrido, para que o mundo inteiro finalmente volte os olhos para um país que se acaba aos poucos? Várias cidades da Síria foram destruídas e cerca de 3,8 milhões de sírios perderam tudo que durante uma vida conquistaram e fogem em desespero de seu país na tentativa de, não alcançar uma vida melhor, mas na tentativa de sobreviver. Falta sensibilidade de países que podem abrir suas fronteiras á refugiados que choram, gritam, imploram e pedem por socorro. Falta senso em entender que matar não é a solução, e que essa guerra não está trazendo benefício para ninguém. Falta humanidade de todos os lados.
Em 1950, após a II Guerra Mundial, foi criada a ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o organismo que deveria suprir e ajudar pessoas deslocadas em todo o mundo, as salvando e ajudando de acordo com seus direitos e seu bem-estar. O órgão já pediu cautela para a Europa em relação á esses refugiados, sendo que essa grande migração vêm atacando os países do continente que muitas vezes não podem ajudar. Países como Líbano, Jordânia, Quênia e Tailândia estão lotados e fecham as fronteiras para essas pessoas que são obrigadas á viverem em campos sem que possam trabalhar ou ser parte de uma sociedade.
Os refugiados possuem direitos, dentre eles, a "não-devolução", um país que acolheu um refugiado, não pode mandá-lo de volta para seu país de origem ou expulsá-lo contra sua vontade (apenas caso cometa algum crime). Os refugiados também tem direito á emprego remunerado, ensino público, assistência médica, habitação e etc.
As pessoas muitas vezes esquecem-se que somos um único povo, com tamanhas diferenças impostas por nós mesmos. A diferença de classes, cor, religião, entre outras é a desculpa usada por muitos para cometerem crimes de preconceito, ou então "livrarem-se" de ajudar alguém necessitado. É triste ver as portas sendo fechadas para pessoas que gritam por ajuda, crianças chorando e pessoas sem sua casa, seu emprego, sua cultura, tendo a necessidade de abandonar tudo e todos que um dia conheceram, que um dia obtiveram. É necessário humanidade para nós humanos.
Li uma vez na auto-biografia de Nikola Tesla, uma "frase" que nunca se apagará de minha memória:
A paz só pode vir como consequência natural da educação universal e da mistura de raças, e ainda estamos longe dessa feliz realização, porque poucos, de fato, hão de admitira a realidade - que Deus criou o homem à Sua imagem - e por isso todos os homens da terra são iguais. Há, na verdade, uma só raça, com diversas cores. Cristo é uma única pessoa, mas é de toda gente, então por que algumas pessoas se creem melhores do que as outras?
No mundo inteiro, atualmente, existe cerca de 59 milhões de pessoas deslocadas. fora de seus países, longe de suas culturas, buscando por um novo rumo, um novo recomeço.